Ensino de Sociologia

Licenciatura em Ciências Sociais e Sociologia no Ensino Médio
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Archive for the ‘controversia’

Recursos sobre debate “Escola Sem Partido”

outubro 24, 2016 By: polart Category: controversia, Profissão Docente

No final de setembro, o IEA/USP promoveu um seminário sobre o “Escola Sem Partido”, reunindo acadêmicos, gestores das redes públicas e professores da Rede. Foram abordados temas como o ensino sobre os povos indígenas, história e cultura africana e afro-brasileira, debates sobre gênero na escola, entre outros temas. Acredito que as experiências escolares demonstradas ali são a maior prova do equívoco do “Escola sem Partido” e do que está realmente em jogo. 
Abaixo, está um pequeno resumo do seminário. Na sequência há o vídeo completo de todas as mesas. Penso que este material em vídeo pode ser muito útil para o debate nas escolas, especialmente para quem ainda tem pouca informação sobre o tema.



Moção de repúdio à medida provisória número 746 – 5º ENCONTRO ESTADUAL DE ENSINO DE SOCIOLOGIA

setembro 29, 2016 By: polart Category: controversia, legislação

Moção de repúdio à medida provisória número 746

O Ministério da Educação, por meio da Medida Provisória nº 746, de 22 de setembro, alterou o Ensino Médio, parte da Educação Básica. Para legitimar tal medida e sensibilizar a sociedade quanto à urgência de mudanças, o MEC – assim como diversos setores do empresariado – tem se utilizado do discurso da falência desse nível de ensino, visto como incapaz de proporcionar aos estudantes deste início de século XXI uma aprendizagem significativa e interessante. Por trás do discurso da relevância, escondem-se muitos pontos obscuros desta proposta deplorável, antes de tudo, pelo caráter autoritário de que se reveste.

O texto institui uma política de fomento à implementação de escolas de Ensino Médio em tempo integral num contexto político em que se prevê o congelamento do orçamento para a educação. Além de não deixar claro de onde viriam esses recursos, a MP reserva este tipo de ensino a uma pequena parcela dos estudantes matriculados no Ensino Médio. Sabemos que a realidade das escolas do Brasil não comporta tais mudanças e que estas, aprovadas, servirão para que mais uma vez criemos bolsões de pobreza e exclusão. Hoje existem entre 7,5 e 8 milhões de jovens matriculados no Ensino Médio e tal proposta pretende oferecer ensino integral para 500 mil deles, o que por si só já configura um padrão seletivo de organização do ensino.

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Declaração da SBS sobre a Reforma do Ensino Médio

setembro 27, 2016 By: polart Category: controversia

Fonte: http://www.sbsociologia.com.br/home/index.php?formulario=noticias&metodo=0&id=73

A Sociedade Brasileira de Sociologia vem a público declarar seu posicionamento sobre a proposta de Reforma do Ensino Médio, apresentada no dia 22/09/2016 pelo Ministério da Educação ao Presidente da República, para ser implementada na forma de Medida Provisória.

A Reforma do Ensino Médio – 22 de setembro de 2016

A Sociedade Brasileira de Sociologia vem a público declarar seu posicionamento sobre a proposta de Reforma do Ensino Médio, apresentada no dia 22/09/2016 pelo Ministério da Educação ao Presidente da República, para ser implementada na forma de Medida Provisória.

A proposta fere substancialmente a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, pois modifica as exigências de conteúdos ali previstos, a formação de docentes requeridas para ministrar aulas nessa etapa da Educação Básica e a metodologia de pactuação das políticas educacionais prevista também na Constituição Federal de 1988.

Note-se que a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão – PFDC/MPF publicou nota no dia 19 de setembro de 2016, alertando para o descumprimento da Constituição Federal de 1988. Diz a nota: “Contudo, a utilização do instrumento da Medida Provisória para tratar de tema tão sensível e complexo é temerário e pouco democrático. As mudanças a serem implementadas em um sistema que envolve 28 redes públicas de ensino (União, Estados e Distrito Federal) e ampla rede privada precisam de estabilidade e segurança jurídica, o que o instrumento da Medida Provisória não pode conferir, uma vez que fica sujeito a alterações em curto espaço de tempo pelo Congresso Nacional. Ademais, por se tratar de tema que envolve milhares de instituições públicas e privadas, centenas de organizações da sociedade civil e milhões de profissionais, imaginar que um governo pode, sozinho, apresentar uma solução pronta e definitiva é uma ilusão incompatível com o regime democrático. Mais que inefetiva, a apresentação de soluções fáceis para problemas complexos é um erro perigoso.” http://www.mpf.mp.br/pgr/noticias-pgr/pfdc-lanca-nota-publica-sobre-riscos-de-reforma-do-ensino-medio-por-meio-de-medida-provisoria

Concordamos com o Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio que alerta para a radical alteração proposta pela MP em questão quanto ao caráter da Educação Básica, em que o Ensino Médio figura como a última etapa a completar a formação escolar de onze anos. Trata-se, portanto, de mudança de concepção que tem consequências em todo o sistema de ensino. Desrespeita todo o aparato legal construído nos últimos vinte anos, por meio de muito debate e esforço de elaboração democrática, tais como as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica, as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio, as Diretrizes Curriculares para Formação de docentes para a Educação Básica e assim sucessivamente tudo que decorreu dessa arquitetura legal e legítima.

Solicitamos ao MEC a revogação imediata da MP e diálogo transparente e democrático com a sociedade, por meio das escolas, entidades científicas, organizações representativas dos docentes e estudantes, enfim, com aqueles diretamente atingidos por essa reforma. Mudanças bruscas não contribuem com a ordem democrática, ao contrário geram instabilidade e insegurança num momento em que mais se precisa de confiança política.

Ensino Médio e Currículo em debate

novembro 27, 2012 By: polart Category: controversia, legislação

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=85101

 

Especialistas pedem cautela na reforma curricular do ensino médio

Acadêmicos, cientistas e pesquisadores pedem cautela na unificação das 13 disciplinas do ensino médio público nacional em quatro grandes áreas do conhecimento – anunciada recentemente pelo Ministério da Educação (MEC). Pela proposta, prevista para vigorar a partir do próximo ano, as disciplinas serão integradas em ciências humanas, ciências da natureza, linguagem e matemática.

Temendo eventuais frustrações, a maioria dos especialistas, ouvidos pelo Jornal da Ciência, critica a proposta do ministério por ser “precipitada” e sugere a criação de um debate na sociedade a fim de aperfeiçoar o projeto e apresentar solução para os problemas crônicos do ensino médio nacional. Eles entendem que a integração das disciplinas não seria a saída para melhorar “a péssima” qualidade da educação básica do País.

 

Procurado, o Ministério da Educação informou que tal proposta já foi discutida com a sociedade, sobretudo com secretários estaduais de educação; e discordou de que a proposta busque integrar ou eliminar qualquer disciplina. O que está em curso, segundo o secretário de Educação Básica do MEC, Cesar Callegari, é o que chamou de processo de “articulação” de disciplinas com outras áreas do conhecimento, o qual será elaborado pelo sistema estadual de educação baseado nas orientações do ministério.

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CARTA ABERTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE SOCIOLOGIA

outubro 10, 2011 By: polart Category: controversia

Foi com muito entusiasmo que tivemos acesso à última proposta de alteração da Matriz Curricular para o Ensino Médio divulgada pelo Governo do Estado de São Paulo em setembro do presente ano. O documento, de autoria da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP), foi construído com base no princípio da isonomia entre as três grandes áreas do conhecimento, o que atende a uma das reivindicações históricas da Comissão de Ensino da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS). A proposta ainda permite que, no terceiro ano, o estudante possa dedicar maior quantidade de horas a sua área de interesse (Linguagens e Códigos; Ciências da Natureza e Matemática; ou Ciências Humanas). Entendemos que não se trata de defender especificamente disciplinas que compõem essas áreas, considerando que algumas têm maior importância que outras, mas sim de reconhecer a importância que elas podem ter na formação dos alunos do Ensino Médio. A Sociologia não veio para dividir o espaço no currículo com as outras disciplinas; ela retoma o seu lugar para afirmar que sua presença fez e fará diferença no currículo do Ensino Médio.

A luta da SBS, coordenada pela sua Comissão de Ensino, e de diversas entidades representativas dos sociólogos para a volta da Sociologia no currículo do Ensino Médio foi motivada pelo reconhecimento da importância que essa disciplina pode ter – e está tendo nos últimos dois anos – na formação dos jovens alunos desse nível de ensino. A Comissão de Ensino da SBS tem ajudado a multiplicar esforços em vários estados do país para resolver os problemas relacionados com o ensino da Sociologia, com a realização de encontros e seminários e promovendo o debate sobre proposta curricular, materiais e métodos de ensino e inúmeras outras questões que marcam o cotidiano na escola Além disso, nas diferentes instituições de ensino superior tem crescido o número de laboratórios de ensino dedicados a estabelecer o vínculo entre a licenciatura no ambiente universitário e o que ocorre na sala de aula, especialmente nas escolas públicas. Assim, o trabalho com os professores de sociologia no ensino médio procura resgatar a experiências desses professores e contribuir para a ampliação de seus conhecimentos. Verificamos, ainda, o aumento do número de pesquisas sobre o ensino de sociologia nos programas de pós-graduação, adensando, assim, o conhecimento a respeito das questões levantadas em nossos debates. Como se pode notar, o ensino de Sociologia extrapola hoje o espaço escolar, com implicações na reorganização dos cursos de ciências sociais – especialmente das Licenciaturas – e até nos cursos de pós-graduação. Tudo isso revela, a nosso ver, a preocupação e o compromisso dos sociólogos no sentido de garantir um ensino de qualidade dessa disciplina.

Diversas pesquisas têm mostrado que o principal problema verificado na implantação da Sociologia no Ensino Médio tem sido a carga horária reduzida que inviabiliza a construção de um projeto pedagógico e de uma proposta curricular de acordo com as necessidades dos estudantes. Esta visão foi compartilhada pelos cerca de 250 professores que participaram do II Encontro de Ensino de Sociologia, realizado no último dia 26 de setembro, em São Paulo.

Pelo exposto, a SBS vem por meio desta Carta Aberta manifestar seu apoio à proposta de alteração da matriz curricular apresentada pelo Governo de São Paulo, afirmando sua importância para que possamos, juntos, melhorar o Ensino Público no país.

São Paulo, de outubro de 2011

COMISSÃO DE ENSINO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE SOCIOLOGIA

Todos pela educação

outubro 18, 2010 By: polart Category: artigo, controversia, notícia

Pessoal saiu no caderno OPINIÃO da Folha de hoje, 18/10/2010 e achei interessante compartilhar este ponto de vista.

RICARDO YOUNG

Todos pela educação

Este é o nome de um movimento da sociedade civil, do qual participo, que tem por objetivo contribuir para que todas as crianças e jovens brasileiros tenham acesso à educação pública de qualidade.
Este movimento se torna ainda mais fundamental depois que pesquisa do Ipea dá conta de que a população brasileira passará por um envelhecimento rápido nos próximos 20 anos. Ao analisar dados sobre fecundidade e mortalidade, o Ipea estima que, a partir de 2030, só os grupos acima de 45 anos é que vão apresentar crescimento.
Em comparação com a Europa, único continente a enfrentar esse problema até agora, o movimento de passagem está acontecendo numa velocidade acelerada, exigindo atenção total dos políticos, do mercado e da sociedade para os impactos da mudança nas políticas públicas, no consumo e na vida de cada um.
Um país com população “mais velha” precisa de políticas públicas de renda e saúde abrangentes e efetivas para compensar a perda da capacidade de trabalho, além de fortes investimentos em habitação, infraestrutura e acessibilidade em focos diferentes dos que são feitos hoje, porque as necessidades serão diferentes.
Quem vai pagar esta conta?
De onde sairá o dinheiro para as aposentadorias que garantam dignidade a estes brasileiros? O Brasil ainda vive um período de bônus demográfico, no qual há um contingente de população em idade ativa maior do que o de idosos e crianças. Este período deve durar mais uns 20 anos. Em condições normais, seria uma bênção. Mas, por não estarmos preparados, teremos um ônus difícil de ser superado, pois as pessoas em idade ativa hoje têm baixa escolaridade e quase 50% da população entre 15 e 19 anos não tem acesso ao ensino médio público.
Daqui a 20 anos, a população ativa hoje será a aposentada. Se neste período não realizarmos uma verdadeira revolução educacional que prepare de fato as pessoas para um mercado de trabalho cada vez mais exigente, não seremos um país sustentável, pois a renda dos cidadãos ativos não suportará as necessidades básicas da população.
Na Europa, as aposentadorias são garantidas por uma população economicamente ativa altamente educada e capacitada, que ocupa postos de trabalho complexos com salários sobre os quais incide uma porcentagem que forma a poupança que paga as aposentadorias. Estes profissionais passaram por escolas, públicas na maioria, de alto nível. Por isso os salários melhores garantem uma população de “pirâmide invertida”, mais idosos do que jovens.
É absolutamente urgente que sejamos todos radicalmente pela educação pública de qualidade, hoje. Esse é o compromisso que devemos cobrar dos políticos. A viabilidade do país depende disso.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1810201006.htm

Atenção: novas diretrizes para o ensino médio brasileiro

outubro 02, 2010 By: polart Category: controversia, legislação

Que ensino médio queremos?

Que modificações você sugere para as diretrizes curriculares do ensino médio?

Está novamente em discussão as diretrizes para o ensino médio brasileiro. Leia a matéria abaixo para obter mais informações sobre as propostas que estão sendo discutidas. Em anexo, disponibilizamos o texto base que será analisado nesta segunda-feira pelo Conselho Nacional de Educação (CNE): Nova-DCNs-Ensino-Medio-2010

Correio Braziliense – 29 de setembro de 2010

Educar para o futuro: *CNE discute as novas diretrizes do ensino médio*

*Larissa Leite* * Daniel Ferreira/CB/D.A Press *

*Os alunos Lorena, Almir e Geronilson têm educação ambiental no currículo: mais assuntos e mais seriedade*

*O objetivo não é apenas reforçar os tradicionais conteúdos dos vestibulares, mas também ampliar o leque de possibilidades dos alunos, com preparação profissional e formação ética*

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Polêmica: filosofia e sociologia no Ensino Médio e ensino semipresencial

setembro 13, 2010 By: polart Category: controversia

Em outubro de 2008 o Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo aprovou a seguinte DELIBERAÇÃO CEE Nº 77/08

Em julho de 2009  o CEE-SP deu um parecer sobre a consulta de um colégio a respeito da possibilidade de oferecer as disciplinas Sociologia e Filosofia sem reserva de horas específicas e na modalidade semipresencial: PARECER CEE Nº 242

Tanto a Deliberação quanto o Parecer estão aqui disponíveis para vossa análise e discussão. Há partes relativamente dúbias ou confusas que merecem uma leitura atenta. Ambos os documentos trazem importantes elementos para nossas discussões em sala.

Resposta ao editorial do Estado: “Inchaço do Currículo”

agosto 25, 2010 By: polart Category: artigo, controversia

Reproduzimos abaixo a resposta do Prof. Amaury Moraes, enviada ao fórum de leitores do jornal O Estado de S.Paulo, sobre o editorial publicado em 20/08/2010. O editorial em questão, estão disponível no link: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100820/not_imp597624,0.php

Prezado Sr. Editorialista:
Minha mensagem se refere ao editorial “O inchaço do currículo

escolar”, de 20/08/2010.

Depois de 32 anos como professor de 1º. e 2º., depois do ensino fundamental e médio, em escolas públicas e privadas, depois professor de universidade privada, convivendo com diretores e donos de escolas, pedagogos e técnicos de educação, e mais recentemente como professor de uma universidade pública; depois de defender mestrado sobre os editoriais desse jornal, ainda me surpreende a desenvoltura com que os editorialistas desse jornal falam de temas tão complexos como currículo escolar. É claro que se socorrem de “argumentos de autoridades”, mas se estas autoridades o fossem de fato, teriam indicado ao Sr. livros como os do Prof. Tomas Tadeu da Silva, um dos maiores teóricos sobre currículo, e lá teria lido que não existe esse currículo natural de que fala, não existe um currículo por aí que pode ser descoberto, por fim, não existe um currículo tecnicamente definível. O currículo é fruto de disputas, lutas, debates, pressões, interesses de grupos. É coisa humana, não natural. Engano-me: o Sr. sabe muito bem disso, e tanto sabe que escreve o editorial para fazer valer a sua opinião – já que jornal não é só informação (como dizia um antigo editorial que eu mesmo analisei há anos). Pois bem, é possível que haja ainda no jornal quem tenha conhecido o Prof. Jean Maugüe do Departamento Filosofia da USP, membro da missão francesa. Ele dizia que não tinha pretensão de formar filósofos – ele mesmo não era um filósofo, senão um professor de Filosofia, e dos melhores -; queria que seus alunos aprendessem Filosofia para assistir a um filme, entender uma peça de teatro, apreciar um livro e, certamente, ler um jornal, por exemplo, esse editorial de que trato, para poder entender bem o que quer dizer o editorialista abaixo da superfície das boas intenções e preocupações com a educação nacional. O Sr. demonstra em seus próprios exemplos como a definição do currículo não é assim tão simples: português, matemática e ciências (suponho que as Naturais, porque as outras, como Sociologia, não devem ser ciências) há décadas ocupam a maior parte do currículo e os péssimos resultados dos estudantes brasileiros em testes nacionais e internacionais não são de agora, com a entrada de Filosofia, Sociologia e Cultura afro-brasileira no currículo. Quem sabe, até por lerem mais nessas disciplinas se possa ter, daqui a alguns anos, estudantes com maior proficiência de leitura e raciocínio lógico… Não há Sociologia ou Filosofia nas séries iniciais, quando se dá a primeira etapa da alfabetização, e nem por isso os alunos saem “mais” alfabetizados. Assim, cada escola, comunidade ou sistema de ensino deve definir as disciplinas do currículo conforme os objetivos que pretendem: aqueles que querem alunos com uma formação geral, humanística, escolhem um
currículo com a variedade de saberes, Literatura, Filosofia, História, Ciências Naturais, Artes etc.: aqueles que querem uma formação mais religiosa, como as escolas confessionais, incluem ensino religioso; aqueles que querem uma formação técnica, escolhem uma escola com currículos técnicos ou tecnológicos; e aqueles que querem colocar os seus alunos nas melhores universidades, nem precisam definir currículos, apenas procedem a um treinamento de seus alunos para esse fim, uma vez que eles já vêm formados de casa. Mas alguém perguntou às escolas públicas o que elas pretendem formar? O Conselho Estadual de Educação de São Paulo precisava estar atento para esse segmento também, se não pode incluir representantes da escola pública entre seus membros, poderia, ao menos, abrir audiências públicas para ouvir professores, dirigentes, pais de alunos e pesquisadores sobre escolas públicas para saber como responder aos anseios dessa comunidade.

Amaury Cesar Moraes, professor da Faculdade de Educação da USP

Resposta da CAI/ABA à matéria publicada pela Revista Veja

maio 13, 2010 By: polart Category: controversia, notícia

Nota da Comissão de Assuntos Indígenas-CAI/ABA

A reportagem divulgada pelo último número da revista Veja, provocativamente intitulada “Farra da Antropologia oportunista”, acarretou uma ampla e profunda indignação entre os antropólogos, especialmente aqueles que pesquisam e trabalham com temas relacionados aos povos indígenas. Dados quantitativos inteiramente equivocados e fantasiosos (como o de que menos de 10% das terras estariam livres para usos econômicos, pois 90% estariam em mãos de indígenas, quilombolas e unidades ambientais!!!) conjugam-se à sistemática deformação da atuação dos antropólogos em processos administrativos e jurídicos relativos a definição de terras indígenas.

Afirmações como a de que laudos e perícias seriam encomendados pela FUNAI a antropólogos das ONGs e pagos em função do número de indígenas e terras “identificadas” (!) são obviamente falsas e irresponsáveis. As perícias são contratações realizadas pelos juízes visando subsidiar técnica e cientificamente os casos em exame, como quaisquer outras perícias usuais em procedimentos legais. Para isto o juiz seleciona currículos e se apóia na experiência da PGR e em consultas a ABA para a indicação de profissionais habilitados. Quando a FUNAI seleciona antropólogos para trabalhos antropológicos o faz seguindo os procedimentos e cautelas da administração pública. Os profissionais que realizam tais tarefas foram todos formados e treinados nas universidades e programas de pós-graduação existentes no país, como parte integrante do sistema brasileiro de ciência e tecnologia. A imagem que a reportagem tenta criar da política indigenista como uma verdadeira terra de ninguém, ao sabor do arbítrio e das negociatas, é um absurdo completo e tem apenas por finalidade deslegitimar o direito de coletividades anteriormente subalternizadas e marginalizadas.

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