Ensino de Sociologia

Licenciatura em Ciências Sociais e Sociologia no Ensino Médio
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Archive for the ‘artigo’

Jessé de Souza – classes sociais, reprodução social e desigualdade no Brasil

maio 20, 2013 By: polart Category: artigo, bibliografia

Reproduzimos abaixo um bom artigo publicado no Estadão que serve de referência para discussões em sala sobre classes sociais, reprodução social e desigualdade no Brasil.

Pensamento mediano

18 de maio de 2013 | 16h 09

A professora Marilena Chauí propõe uma discussão interessante e oportuna acerca da classe média brasileira. Seu julgamento indignado é certeiro, ainda que abstrato e indiferenciado. Mais interessante que o burburinho causado é perceber a “justificação” do privilégio dessa classe para que possamos compreendê-la. Antes de tudo, o que é “privilégio”? E como ele se reproduz? Em todas as sociedades modernas, como a brasileira, os privilégios que asseguram acesso diferencial aos bens ou recursos que todos desejamos, sejam materiais, como carro e casa, sejam imateriais, como o prestígio e o charme que asseguram a conquista de um parceiro erótico, por exemplo, são explicados a partir da apropriação diferencial de certos “capitais” – que vão pré-decidir toda a competição social por todos os bens escassos, materiais e imateriais, que todos desejamos as 24 horas do dia. Esses “capitais impessoais”, antes de tudo o capital econômico e o capital cultural, são, portanto, o fundamento opaco e nunca assumido de toda a dominação social injusta.

 

Filósofa Marilena Chauí propõe reflexão sobre a classe média - Filipe Araújo/Estadão
Filipe Araújo/Estadão
Filósofa Marilena Chauí propõe reflexão sobre a classe média

A regra básica da cegueira na qual todos vivemos é que percebemos o “capital econômico”, mas nunca percebemos o “capital cultural”. É que o capital cultural não são apenas os títulos escolares de prestígio que garantem à classe média seus empregos bem pagos e reconhecidos. Capital cultural é também e principalmente toda a herança imaterial e invisível, tanto emocional quanto cognitiva e moral, que recebemos desde tenra idade, sem esforço, no convívio familiar, como a habilidade para o pensamento abstrato, o estímulo à concentração – que falta às classes populares e a condenam ao fracasso escolar -, a capacidade de perceber o futuro como mais importante que o presente, etc. Isso tudo somado constrói o indivíduo das classes alta e média como “vencedor” na escola e depois no mercado de trabalho, não por seu “mérito individual”, como os indivíduos dessas classes gostam de pensar, mas por uma “vantagem de sangue”, familiar e de classe, como em qualquer outra sociedade tradicional do passado.

Como a herança do capital cultural, enquanto pressuposto emocional, cognitivo e moral de todo privilégio, é invisível e opaca à consciência cotidiana, a falácia do “milagre” do mérito individual pode campear á vontade. Esse falso milagre é o fundamento que legitima todo tipo de apropriação injusta de privilégios permanentes, condenando os indivíduos que tiveram o azar de nascer na família e na classe errada à miséria e à humilhação, como se alguém pudesse “escolher” ser pobre e desprezado. A dominação social moderna é produzida por um engodo, uma fraude, uma mentira compartilhada por todos os privilegiados. Mas isso acontece exatamente do mesmo modo nas sociedades que admiramos e imitamos como França, Alemanha ou Estados Unidos.

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EJA e Educação Democrática: um bom exemplo

maio 20, 2013 By: polart Category: artigo

Escola da periferia de São Paulo mostra modelo para educação de jovens e adultos

por: Estevan / fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2012/12/campo-limpo-em-sao-paulo-pode-ter-a-solucao-do-problema-da-educacao-de-jovens-e-adultos

São Paulo – Caminhar pelo Centro de Integração de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) Campo Limpo pode ser uma aula sobre o que é democracia e inclusão – na prática. Pessoas com necessidades especiais, entre cegos, surdos, mudos, com síndrome de Down, compõem os círculos – e não fileiras – das salas de aula. Todos podem estudar. Adolescentes e idosos que não tiveram a oportunidade de frequentar a escola quando crianças procuram, juntos, se graduar no ensino básico.

Localizada na zona sul de São Paulo, próxima às favelas do Parque Santo Antônio e do Godoy, o Cieja Campo Limpo faz parte de um modelo desenhado pela prefeitura de São Paulo no início da década de 1990, que previa a ampliação do atendimento de Educação de Jovens e Adultos (EJA), tradicionalmente uma modalidade oferecida só à noite, para vários turnos ao longo do dia, adaptando-se às obrigatoriedades dos trabalhadores paulistanos.

Em três anos, a quantidade de alunos jovens e adultos na rede pública caiu 17,2% e diversas salas de aula de EJA foram fechadas no Brasil. De 39,1 milhões de matrículas que o país tinha em 2009, o país passou a ter 32,4 milhões neste ano. As razões? São várias. Para o Fórum EJA-SP, um grupo da sociedade civil que reivindica políticas públicas para a modalidade, trata-se de falta de interesse do governo. Uma de suas integrantes, a historiadora e doutora em educação Maria Alice Santos, que também faz parte do projeto MOVA-Brasil, um movimento que promove a alfabetização em diversos estados do país, disse à RBA acreditar que as políticas públicas são sustentadas por um pensamento de que apenas a alfabetização basta.

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Grupo de Discussão sobre Licenciatura na Ciências Sociais

agosto 29, 2012 By: polart Category: artigo, evento, PIBID

Ontem foi realizada pela Semana de Ciências Sociais da Unifesp uma atividade de discussão sobre a licenciatura em Ciências Sociais:

18h ::SALA 3 (anexo):: GD1: Licenciatura. Debate sobre os rumos do currículo de licenciatura em nosso curso, discutindo suas problemáticas, perspectivas para o ensino de sociologia e formação docente na universidade pública. com Prof. Dr. Davisson Cangussu de Souza, Prof. Dr. Henrique Parra e Graduanda Danielle Regina

A programação completa do evento está disponível aqui: http://secsunifesp.wordpress.com/

Aproveito o ensejo para compartilhar um link de texto que escrevi para uma mesa na SBS em 2011: http://hp.pimentalab.net/txt/henrique-parra-artigo-SBS-2011.pdf

Reportagens sobre Ensino de Sociologia

julho 11, 2011 By: polart Category: artigo, bibliografia

Professor do Paraná usa a construção coletiva de livros para ensino da sociologia

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=1776

Filmes podem ser um recurso útil nas aulas de sociologia

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=1775

Programa incentiva futuros professores de sociologia

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/conteudoJornal.html?idConteudo=1777

Anita Handfas (UFRJ): diferentes modelos de formação de professores precisam ser discutidos

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/noticias.html?idEdicao=61&idCategoria=8

Estudantes de São Paulo e Embu fazem projeto conjunto de educomunicação por meio das redes sociais

novembro 10, 2010 By: polart Category: artigo, notícia, sites e portais

por Marcelo Modesto
15 OUTUBRO 2010
Acorde

Jovens atendidos pela ONG Acorde integram inclusão digital e educação

Uma parceria firmada há um ano está unindo as experiências em redes sociais presentes nas atividades do colégio Dante, em São Paulo, e o reforço escolar de estudantes da cidade de Embu, na região metropolitana. A ideia, contam os participantes, é simular processos jornalísticos com os alunos do ensino médio e fundamental auxiliados pela ONG Acorde, despertando interesses por temas diversos e por conteúdos escolares como redação, pesquisa e atividades interdisciplinares.

Os jovens de Embu visitam o colégio semanalmente, encontram-se com os participantes das oficinas, trocam experiências e levam as propostas para a sua comunidade. A parceria já começa a ficar mais palpável, com o projeto de um blog com informações culturais e de eventos próximos a Embu, a ser realizado pelos próprios moradores da região.

Além disso, os jovens atendidos pela ONG Acorde recebem aulas específicas no colégio Dante sobre diversos conteúdos. O relato dos pais, em sua grande maioria, não poderia ser mais receptivo. Os estudantes desenvolveram um ambiente de união, através de espaços de aprendizagem colaborativa, integrados por redes sociais, como a plataforma Ning da ONG Acorde, que já tem 2 anos de existência.

A ideia de trabalhar em conjunto teve como base a experiência dos alunos e alunas do colégio paulistano, que participam desde 2007 do projeto extracurricular Dante em Foco. As atividades do projeto são combinadas por e-mail, SMS, e os alunos se encontram para discutir pautas, matérias e cobertura de eventos, em oficinas que simulam o trabalho jornalístico.
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Todos pela educação

outubro 18, 2010 By: polart Category: artigo, controversia, notícia

Pessoal saiu no caderno OPINIÃO da Folha de hoje, 18/10/2010 e achei interessante compartilhar este ponto de vista.

RICARDO YOUNG

Todos pela educação

Este é o nome de um movimento da sociedade civil, do qual participo, que tem por objetivo contribuir para que todas as crianças e jovens brasileiros tenham acesso à educação pública de qualidade.
Este movimento se torna ainda mais fundamental depois que pesquisa do Ipea dá conta de que a população brasileira passará por um envelhecimento rápido nos próximos 20 anos. Ao analisar dados sobre fecundidade e mortalidade, o Ipea estima que, a partir de 2030, só os grupos acima de 45 anos é que vão apresentar crescimento.
Em comparação com a Europa, único continente a enfrentar esse problema até agora, o movimento de passagem está acontecendo numa velocidade acelerada, exigindo atenção total dos políticos, do mercado e da sociedade para os impactos da mudança nas políticas públicas, no consumo e na vida de cada um.
Um país com população “mais velha” precisa de políticas públicas de renda e saúde abrangentes e efetivas para compensar a perda da capacidade de trabalho, além de fortes investimentos em habitação, infraestrutura e acessibilidade em focos diferentes dos que são feitos hoje, porque as necessidades serão diferentes.
Quem vai pagar esta conta?
De onde sairá o dinheiro para as aposentadorias que garantam dignidade a estes brasileiros? O Brasil ainda vive um período de bônus demográfico, no qual há um contingente de população em idade ativa maior do que o de idosos e crianças. Este período deve durar mais uns 20 anos. Em condições normais, seria uma bênção. Mas, por não estarmos preparados, teremos um ônus difícil de ser superado, pois as pessoas em idade ativa hoje têm baixa escolaridade e quase 50% da população entre 15 e 19 anos não tem acesso ao ensino médio público.
Daqui a 20 anos, a população ativa hoje será a aposentada. Se neste período não realizarmos uma verdadeira revolução educacional que prepare de fato as pessoas para um mercado de trabalho cada vez mais exigente, não seremos um país sustentável, pois a renda dos cidadãos ativos não suportará as necessidades básicas da população.
Na Europa, as aposentadorias são garantidas por uma população economicamente ativa altamente educada e capacitada, que ocupa postos de trabalho complexos com salários sobre os quais incide uma porcentagem que forma a poupança que paga as aposentadorias. Estes profissionais passaram por escolas, públicas na maioria, de alto nível. Por isso os salários melhores garantem uma população de “pirâmide invertida”, mais idosos do que jovens.
É absolutamente urgente que sejamos todos radicalmente pela educação pública de qualidade, hoje. Esse é o compromisso que devemos cobrar dos políticos. A viabilidade do país depende disso.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1810201006.htm

Conceito de Cultura Digital na metodologia da educação

setembro 05, 2010 By: polart Category: artigo

Posted: 28th agosto 2010 by Plínio Medeiros

Eu vejo muitos profissionais de pedagogia dizerem que a escola está engajada na Cultura Digital quando cria um laboratório de informática. Será que Cultura Digital é simplesmente fornecer acesso a computação e internet? Isso me parece papo de prefeito de araque dizendo que contribuiu para a cultura do município por ter inaugurado um teatro, porém não promove nenhuma programação para incentivar a população, deixando-o parado. O mesmo acontece com as escolas, não é simplesmente dar acesso aos alunos de escolas particulares e públicas, e bloquearem sites alegando ser seguro, é instruir quais sites são seguros e quais não, e explorar ao máximo a capacidades deles. É explorar essas novas ferramentas, tais como Redes Sociais, para orientar melhor os alunos, para eles através da internet aprenderem mais o que aprendem nas aulas, com couteúdos dinâmicos e interativos, fixando bem melhor. Falta a compreenção que estes alunos, vivem um um mundo diferente do que vividos por seus educadores, eles são da Geração Y, logo já nasceram com acesso a grande fluxo de informações e desejam muito mais. E que usar medodologias de ensino orientada para outro perfil de alunos só atrasa o processo de aprendizado destes. O que acontece é que pensamentos pedagólicos mais tradicionais estão preocupados com a importância do professor, sendo que este deixa de ser uma peça fundamental para o ensino, como única fonte de conhecimento, para um mero facilitador, onde o aluno agora através das ferramentas de comunicação possui acesso ilimitado a uma série de conhecimentos. Começo pelo conceito ‘aluno’, que significa ‘desprovido de luz’, luz na analogia é o conhecimento. Logo o mestre é quem ilumina o aluno com o seu conhecimento. Atualmente acontece com freqüência que certos professores não se atualizam em termos de mercado e acabam ficando defasados, antes isso era menos freqüente, porém com tecnologias e um mercado tão acirrado com tanta concorrência, esse processo está se acelerando mais e mais. De acordo com esse fato como se pode alegar que um aluno é desprovido de conhecimento, se este acessa a uma rede de informações e fica atualizado do que se acontece e já o seu professor, que inicialmente deveria ser quem o informava, não possui tal conhecimento. O filósofo Pierre Lévy relata no seu livro ‘Cibercultura’ que a multimídia através do hipertexto é bem mais atraente do que simplesmente o texto. Assim sendo, que para processos educativos, isso ajuda na fixação do conteúdo ensinado. Algumas instituições de ensino perceberam isso, porém ainda o fazem como deveres obrigatórios, logo desestimulando o aluno, ou usam temas defasados para a idade ou ambiente em que o aluno convive, fazendo com que o aluno ache o tema bobo, erro muito freqüente em pedagogos que relutam em aceitar que as crianças e jovens de hoje são mais precoces do que antigamente, mas querendo ou não, eles são, a Geração Y é assim. Pois na concepção humana de evolução, este deseja acessar a informações e aprender mais, agregando conhecimento para a sua vida, fascilitando-a. A Cultura Digital está disponível para tal, porém muitas vezes o educador toma uma postura de limitar o aluno, fazendo o contrário do seu papel que é impulsionar para o conhecimento. Cabe a instituição de ensino não somente reconhecer, mas também incentivar e orientar o aluno a utilizar esses novos meios de comunicação aptos para o perfil da Geração Y tais como Google, Wikipédia, Facebook, LinkedIn, Twitter, YouTube, MySpace, Orkut, dentre outros, para ajudar no processo de aprendizado.

In:http://www.tecnocratadigital.com.br

Resposta ao editorial do Estado: “Inchaço do Currículo”

agosto 25, 2010 By: polart Category: artigo, controversia

Reproduzimos abaixo a resposta do Prof. Amaury Moraes, enviada ao fórum de leitores do jornal O Estado de S.Paulo, sobre o editorial publicado em 20/08/2010. O editorial em questão, estão disponível no link: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100820/not_imp597624,0.php

Prezado Sr. Editorialista:
Minha mensagem se refere ao editorial “O inchaço do currículo

escolar”, de 20/08/2010.

Depois de 32 anos como professor de 1º. e 2º., depois do ensino fundamental e médio, em escolas públicas e privadas, depois professor de universidade privada, convivendo com diretores e donos de escolas, pedagogos e técnicos de educação, e mais recentemente como professor de uma universidade pública; depois de defender mestrado sobre os editoriais desse jornal, ainda me surpreende a desenvoltura com que os editorialistas desse jornal falam de temas tão complexos como currículo escolar. É claro que se socorrem de “argumentos de autoridades”, mas se estas autoridades o fossem de fato, teriam indicado ao Sr. livros como os do Prof. Tomas Tadeu da Silva, um dos maiores teóricos sobre currículo, e lá teria lido que não existe esse currículo natural de que fala, não existe um currículo por aí que pode ser descoberto, por fim, não existe um currículo tecnicamente definível. O currículo é fruto de disputas, lutas, debates, pressões, interesses de grupos. É coisa humana, não natural. Engano-me: o Sr. sabe muito bem disso, e tanto sabe que escreve o editorial para fazer valer a sua opinião – já que jornal não é só informação (como dizia um antigo editorial que eu mesmo analisei há anos). Pois bem, é possível que haja ainda no jornal quem tenha conhecido o Prof. Jean Maugüe do Departamento Filosofia da USP, membro da missão francesa. Ele dizia que não tinha pretensão de formar filósofos – ele mesmo não era um filósofo, senão um professor de Filosofia, e dos melhores -; queria que seus alunos aprendessem Filosofia para assistir a um filme, entender uma peça de teatro, apreciar um livro e, certamente, ler um jornal, por exemplo, esse editorial de que trato, para poder entender bem o que quer dizer o editorialista abaixo da superfície das boas intenções e preocupações com a educação nacional. O Sr. demonstra em seus próprios exemplos como a definição do currículo não é assim tão simples: português, matemática e ciências (suponho que as Naturais, porque as outras, como Sociologia, não devem ser ciências) há décadas ocupam a maior parte do currículo e os péssimos resultados dos estudantes brasileiros em testes nacionais e internacionais não são de agora, com a entrada de Filosofia, Sociologia e Cultura afro-brasileira no currículo. Quem sabe, até por lerem mais nessas disciplinas se possa ter, daqui a alguns anos, estudantes com maior proficiência de leitura e raciocínio lógico… Não há Sociologia ou Filosofia nas séries iniciais, quando se dá a primeira etapa da alfabetização, e nem por isso os alunos saem “mais” alfabetizados. Assim, cada escola, comunidade ou sistema de ensino deve definir as disciplinas do currículo conforme os objetivos que pretendem: aqueles que querem alunos com uma formação geral, humanística, escolhem um
currículo com a variedade de saberes, Literatura, Filosofia, História, Ciências Naturais, Artes etc.: aqueles que querem uma formação mais religiosa, como as escolas confessionais, incluem ensino religioso; aqueles que querem uma formação técnica, escolhem uma escola com currículos técnicos ou tecnológicos; e aqueles que querem colocar os seus alunos nas melhores universidades, nem precisam definir currículos, apenas procedem a um treinamento de seus alunos para esse fim, uma vez que eles já vêm formados de casa. Mas alguém perguntou às escolas públicas o que elas pretendem formar? O Conselho Estadual de Educação de São Paulo precisava estar atento para esse segmento também, se não pode incluir representantes da escola pública entre seus membros, poderia, ao menos, abrir audiências públicas para ouvir professores, dirigentes, pais de alunos e pesquisadores sobre escolas públicas para saber como responder aos anseios dessa comunidade.

Amaury Cesar Moraes, professor da Faculdade de Educação da USP

A importância da Reforma da Lei de Direito Autoral para a Educação Brasileira

junho 28, 2010 By: polart Category: artigo

A Reforma na lei de Direito Autoral é de fundamental importância para educação brasileira. Ela coloca desafios objetivos não apenas para professores e estudantes, mas para toda a classe trabalhadora, tendo em vista o papel que cumpre o acesso à educação para o desenvolvimento, notadamente no que se refere à redução das desigualdades sociais.

A atual lei de direitos autorais não consegue aplicabilidade prática: ela deveria cumprir o papel facilitar o acesso ao conhecimento por parte da população de forma equilibrada aos interesses e estímulos dos autores na produção cultural e científica, mas, dado o peso absolutamente dominante dos intermediários, dos grandes selos de música e das grandes editoras acadêmicas (que, por motivos óbvios, buscam manter o controle sobre à produção cultural), a sociedade é criminalizada enquanto a indústria faz papel de vítima.
O direito ao acesso à informação está direta e explicitamente vinculado à educação. A Lei de Diretrizes e Bases da educação nacional (LDB) estabelece como princípios “a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber”, bem como “o pluralismo de idéias e concepções pedagógicas”.
Há um desconhecimento no meio acadêmico em torno da pressão exercida pelas editoras para impedir que estudantes façam cópias de partes de livros, além dos entraves colocados pelas disputas e interesses do mercado editorial, do qual o livro didático é um dos carros-chefes: como aponta Pablo Ortellado na publicação “Os direitos autorais e a educação“ a comercialização de livros didáticos é responsável por cerca de 60% do mercado editorial brasileiro, sendo que as quatro maiores empresas concentram 70% do mercado. Eles respondem por 37% dos títulos, 61% dos exemplares e 42% do faturamento de todo mercado. Metade desse setor é destinada à compras governamentais por meio de diversos programas, mas, sobretudo, do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Há ainda a influência de diretrizes do Banco Mundial, que “privilegia programas de livros didáticos para conceder empréstimos aos países da América Latina”.
Apesar do fato da legislação autoral e os critérios de comercialização de livros (inclusive os didáticos) restringirem o exercício desses direitos, o debate em torno destas questões tem sido tratado de forma apática pelos seus maiores interessados: estudantes, professores, movimento estudantil, sindicatos e instituições de ensino (independente se públicas ou privadas). O seu envolvimento e participação neste debate poderia determinar importantes conseqüências para a futuro da educação brasileira.

Fonte: http://arakinmonteiro.wordpress.com

Sobre a juventude

março 27, 2010 By: admin Category: artigo

Fonte: Eric Silvade Andrade – Projeto Viração – www.viracao.org.br

Na Assembléia Mundial da Juventude Urbana, realizada nos últimos dias 19 e 20, o jovem Renato Gardel, de 18 anos, que participa da Plataforma do Centros Urbanos no Rio deJaneiro, falou no Fórum para jovens e adultos de várias partes do mundo. O evento fez parte da programação do 5º Fórum Urbano Mundial que está acontecendo no RJ.

Bom Dia!
Eu habito a Cidade de Deus.
Eu habito a Cidade do Rio de Janeiro.
Em mim habita uma juventude.
Eu tenho uma história.
Eu vim da Bahia.
Fui adotado, e vim para o Rio.
No meu pai, habitou a violência,
E as cidades se habituaram ao ilícito, ao perigo e ao errado.
E se habituaram também a subestimar o potencial dos seus jovens.
Isso me incomoda.
Escuto: O Jovem é instável
Tá certo, é verdade e eu pergunto: e a economia no mundo? E os casamentos? E a política?

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